Trabalho em Altura: atividade que concentra o maior número de acidentes de trabalho no Brasil



O Brasil está em quarto lugar mundial em registros de acidentes durante as atividades laborais, atrás apenas da China, Índia e Indonésia. Segundo o ministério do trabalho (MTE) estima-se que 40% dos acidentes ocorrem em situações envolvendo o trabalho em altura, e as principais causas são:

  • Falta de proteção: trabalhador sem os EPIs necessários à realização da atividade, local não possui sistemas de ancoragem, entre outras situações.
  • Contato acidental com fios de alta tensão: atividades realizadas próximas aos fios de alta tensão.
  • Falha de uma instalação ou dispositivo de proteção: sistemas de ancoragem inadequados, muito antigos e sem manutenção, falha na inspeção dos dispositivos e equipamentos utilizados na atividade.
  • Método incorreto de trabalho: falha na execução da atividade proposta, seja por falta de conhecimento ou negligência.
  • Inaptidão do trabalhador à atividade: trabalhador sem treinamento adequado para realizar o trabalho em altura.
  • Perda de equilíbrio: passo em falso, escorregão, muitas vezes ocasionados por falta de atenção na execução da atividade.

Os riscos de queda existem em vários ramos de atividades e em diversos tipos de tarefas, como: serviços de manutenção, pintura e limpeza de fachadas, instalação de torres de telefonia, instalação de placas e outdoors, operação de gruas e guindaste, montagem de estruturas diversas, carga e descarga de caminhões, depósito de materiais e silos, dentre outros. Pode-se observar, portanto, a infinidade de atividades que expõem os trabalhadores a condições de risco, elevando a necessidade de prevenção.

Diante desta realidade, algumas técnicas devem ser adotadas. Considerando-se a influência de alguns fatores como o tempo de exposição, o número de pessoas envolvidas, a repetitividade do serviço, custo x benefício, produtividade, espaço físico, entre outros, as técnicas de prevenção listadas abaixo devem ser observadas em sequência e sempre que possível, combinar duas delas, visando a máxima proteção dos trabalhadores.

  • Redução do tempo de exposição ao risco: transferir o que for possível para o nível mais baixo, a fim de que o serviço seja executado no solo, eliminado assim o risco.
  • Impedir a queda: eliminar o risco por meio da concepção e organização do trabalho na obra, como exemplo a colocação de guarda-corpo e a instalação de sistemas/pontos de ancoragens.
  • Limitar a queda: se a queda for impossível, deve-se recorrer a proteções que a limitem. Exemplo: redes de proteção e a instalação de sistemas/pontos de ancoragens.
  • Proteção individual: se não for possível a adoção de medidas que reduzam o tempo de exposição, impeçam ou limitem a queda de pessoas, deve-se recorrer a equipamentos de proteção individual. Exemplo: cinto de segurança, talabarte, trava-quedas, entre outros.

Para adotar estas técnicas é imprescindível efetuar análises de eventos adversos que possibilitem compreender os riscos, solucionar problemas e proteger pessoas. Assim, investigar os riscos envolvidos na realização de trabalhos em altura e propor medidas de prevenção para estes é fundamental para minimizar os acidentes e consequentemente preservar a saúde e a vida dos trabalhadores. O que, sem sombra de dúvida, irá contribuir para tirar o país desta terrível estatística.