A CONSTRUÇÃO CIVIL E SEUS RISCOS



?Recentemente estive fazendo uma palestra em um evento comemorativo de um Sindicato ligado à classe dos operários da Construção Civil; nele pudemos dialogar com os profissionais da área e debater algumas questões que vêm me preocupando na medida que as mulheres passaram a exercer de forma mais expressiva suas atividades nessa área que até então era quase exclusiva dos homens; meu enfoque no debate foi se realmente as medidas de segurança, mais especificamente a NR18, está adequada às mulheres.

Falo isso porque as condições sanitárias, a meu ver, não são adequadas às mulheres, quando pensamos no que diz o item 18.4.2.6 vasos sanitários 18.4.2.6.1. O local destinado ao vaso sanitário (gabinete sanitário) deve: a) ter área mínima de 1,00m2 (um metro quadrado); b) ser provido de porta com trinco interno e borda inferior de, no máximo, 0,15m (quinze centímetros) de altura; poderíamos destacar outros ítens dessa norma sobre o tema, mas acredito que esse já é suficiente para embasar minhas afirmações.

Quando pensamos em outros fatores que devem ser levados em consideração, como por exemplo - chegar em um local limpo e seguro para as mulheres amamentar - com certeza isso numa obra não seria fácil de se resolver, principalmente se pensarmos no desinteresse em investir na qualidade de vida dos colaboradores.

Os EPI’s são um outro grande entrave nessa questão de segurança, pois as medidas e dimensões dos mesmos, na grande maioria, não foram projetadas para o uso feminino; temos que pensar na mulher no mercado de trabalho de forma mais séria e ampla; a presença delas é fundamental para humanizarmos os ambientes de trabalho e melhorar em muitos aspectos, porém não podemos simplesmente trazê-las para dentro de um ambiente laboral com características mais agressivas, sem antes dar condições mínimas de segurança e bem estar.

CARLOS A.G. DIAS – Técnico em Segurança do Trabalho e Consultor em ?Projetos para Sistemas de Ancoragem da empresa BERGO SAFETY.